A metrópole vencida

A Metrópole vencida

O velho ditado árabe que diz,“ Quem planta tâmaras não colhe tâmaras” poderia resumir tudo o que se poderia falar em preservação histórica e cultural de uma cidade e no caso Feira de Santana sequer tem plantado, absolutamente nada!
Reuniram-se  na noite da ultima sexta-feira o Prefeito Colbert Martins, juntamente com o seu secretário de planejamento no casarão Froes da Mota, para “reabrir” aquela construção centenária localizada na Praça de mesmo nome no centro de Feira de Santana e anunciar que após 16 anos o casarão recebeu uma nova pintura e nova iluminação.
Algumas outras personalidades do passado administrativo e educacional da cidade regozijaram-se ao ouvir o prefeito comemorar o evento como se fosse uma grande realização do seu governo, governo este extremamente mal avaliado pela população, dado sua incapacidade administrativa, gerencial e de escolhas políticas equivocadas.

A preservação dos monumentos arquitetônicos, culturais e históricos não tem sido merecedores de qualquer atenção e sensibilidade por esse governo que se perpetua há mais de duas décadas.

Certo é que seu povo é o grande responsável pelas escolhas politicas e ao fazê-las, mudando apenas o nome do alcaide de plantão, o faz sentar na cadeira da prefeitura para pouco a pouco ter o condão de desfigurar  a antes Princesa do Sertão, transformando-a numa cidade amorfa, sem cara, sem história.

Persiste aqui, ainda, a lógica de um governo de cunho coronelista e antiquado,  típico dos séculos passados. O Casarão do Intendente Froes da Mota reflete o tempo áureo dessa oligarquia rural burguesa. Na condução da  prefeitura de Feira de Santana ainda sobrevive uma velha política coronelista que submete o seu povo ao convívio diuturno da degradação do seu solo, da sua arquitetura histórica e cultural e por conseguinte vai punindo-o sem lhe ofertar qualidade de vida e cidadania.

Ao lado de um casarão iluminado, o que temos é todo o centro histórico da antiga urbe completamente abandonado.

Desde a Praça dos Remédios, com sua igreja secular sendo violada dia a dia por módulos policiais e tendas de produtos contrabandeados, caminhamos até a Praca Froes da Mota com seu Coreto já decaído, seus bancos desfigurados e o jardim em abandono. Inexiste ambiência em qualquer hora do dia, sem falar da insegurança pública nessa cidade das mais violentas do mundo.

O Secretário de Planejamento, já mumificado no cargo, parece não ter trazido para o exercício técnico e político da pasta as noções de geoprocessamento do solo urbano, adequando-o para uma hoje metrópole complexa, a exigir mais que conhecimentos contábeis para essa importante função. Apontar, em seu discurso, que o Casarão Froes da Mota “precisa de uns eventos para se pagar porque a verba é curta” é pensar equivocadamente o solo urbano de Feira de Santana e seu povo, com suas necessidades interpostas também nos resquícios de construções que ainda não foram demolidos para grotescos estacionamentos de veículos.

O casarão Froes da Mota, simbolo de um tempo da burguesia rural, hoje tem sua ocupação dissociada da pós-modernidade, tempo em que se deve pensar na disposição de equipamentos que preservem, cultuem os valores feirenses. Valores que vão desde o seu icônico vaqueiro, o samba dos quilombolas do distrito da Matinha , ate as esculturas  modernas  na Praça Jackson do Amauri e ao longo de suas largas avenidas. É preciso mais que pensar Feira. É urgente agir, além de olhar para a pequena classe média, deslumbrada e pobre na solidão dos seus condomínios fechados ou das concessões a seus empresários cogumelos, desses que  brotam da noite para o dia, misteriosamente, sem importância histórica para a grande Feira.
Imperioso é pensar na Feira de Santana, no seu povo e na sua capacidade de colher tâmaras!

 

Wagner Bomfim

05/05/2024

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Marirone
Marirone
2 anos atrás

Infelizmente é a pura realidade !

Wagner
Wagner
2 anos atrás
Responder para  Marirone

“ Vem, vamos embora
Que esperar não é saber…”😁

Paulo F Almeida
Paulo F Almeida
2 anos atrás

Belo texto reflexões sobre a origem, o presente e o desplanejamento urbano de feira.

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Comentários

  1. Adyla Ramos em 6 x 1
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