O Rio Subaé
Um pequeno olho d’Água se anuncia no terreno escuro, no canteiro entre duas ruas pavimentadas do Conjunto Habitacional Luiz Eduardo Magalhães, em Feira de Santana.
No entorno da fonte segue-se um matagal, capim alto e um amontado de lixo oriundo das casas próximas, transformando o que seria um córrego num esgoto ao ar livre. Essa é hoje a nascente do Rio Subaé.
No entorno da fonte segue-se um matagal, capim alto e um amontado de lixo oriundo das casas próximas, transformando o que seria um córrego num esgoto ao ar livre. Essa é hoje a nascente do Rio Subaé.
No início do século passado, as cidades de Cachoeira e São Félix sofriam com as enchentes de verão no rio que separa as duas cidades históricas do recôncavo baiano.
Os governantes da época sabiam que aquela condição, muitas vezes devastadora, causava sofrimentos à população ribeirinha e pobre, dependente da pesca para sobreviver. Porém, dessa situação de calamidade pública advinha sempre a chegada de recursos financeiros oriundos do governo federal, para deleite dos políticos locais, sem, contudo, resolver radicalmente o problema.
A solução daquelas tragédias anuais só aconteceria no governo Waldir Pires, que, concretizando um projeto secular, a barragem de Pedra do Cavalo, poria fim a tanto sofrimento para o povo pobre do coração do recôncavo.
O governo Paulo Souto, no início desse século, ao instalar o programa Baia Azul com a criação de estação de tratamento de água e uma pequena rede de esgotamento sanitário em determinados bairros de Feira de Santana, não cuidou, contudo, de tratar dos mananciais hídricos daquele platô. No caso dos aquíferos de Noratinho, Subaé e sobretudo da despoluição do rio Jacuípe que, com o Rio Paraguaçu, deságua na Baía de Todos os Santos, a poluição é cada vez mais gritante.
A tragédia que mais uma vez se abate sobre a cidade de Santo Amaro fez, outrora, a imortal Maria Betânia cantar, tristemente cantar, pedindo para “Purificar o Subaé”.
Hoje ela entoa mais que um canto, é um lamento que a desídia dos gestores públicos não escuta.
Já mataram o povo moreno de cobre, já os deixaram sem mariscos, sem peixes. Aos poucos vão deixando-os sem história, sem identidade.
É o mesmo povo preto, das Cachoeiras, dos mercados, dos atabaques das senzalas, escorraçados, que ora chora, sem rio.
É o mesmo povo preto, das Cachoeiras, dos mercados, dos atabaques das senzalas, escorraçados, que ora chora, sem rio.
Wagner Bomfim.
05/05/2025
