Chapa quente
Chapa quente
O clima em Brasília mudou de vez. Se há uma semana uma neblina ofuscava até o próprio nariz dos candangos, parecendo a “fog londrina”, ontem o tempo esquentou de vez. O ministro do STF André Mendonça – o “terrivelmente evangélico” – mandou a PF efetuar uma operação tendo como alvo o senador judeu Jaques Wagner. Na operação, expõem-se milhares de dólares guardados num cofre no apartamento do senador em Brasília, além de inúmeros relógios de marca.
Causa estranheza: por que o ministro André Mendonça autoriza atuações espetaculares contra um senador do PT, mas não autoriza ações contra aliados do centrão e da extrema direita com inquéritos similares? Parece não haver isonomia. Parece haver muito mais seletividade. Nada de novo no front.
No passado, a história dos relógios foi justificada pelo então candidato a senador pela Bahia: os mesmos eram apenas cópias. Após isso, saiu-se como o senador mais votado daquela eleição. E agora os dólares e euros são justificados como resultantes de diárias recebidas para viagens ao exterior. O senador, que pelo visto gosta muito de contar o tempo nos mostradores dos relógios, agora se vê obrigado também a contar cédulas de dólares e euros para devida apuração em tempo recorde.
Ora, as diárias no serviço público são pagas em reais, não em moeda estrangeira. Basta uma simples evidência – comprovantes bancários de compra dessas moedas junto ao Banco do Brasil, além de expor sua declaração de Imposto de Renda e os extratos de cartão de crédito usado no exterior – para elucidar as dúvidas geradas. Isso tudo pode ser demonstrado nas 24 horas desses mesmos relógios. Simples assim.
Por outro lado, a Súmula Vinculante de número 13 (coincidência?) proíbe a indicação direta de parentes em cargos da administração pública de todos os níveis. Porém, parece existir um nepotismo transversal que permeia todo o núcleo familiar. Tudo sem a sua assinatura direta, óbvio. Isso merece também esclarecimentos.
Quanto aos imóveis questionados, o que interessa não é apenas o registro de cartório, mas a evolução patrimonial declarada à Receita Federal ao longo do tempo, tanto do JW quanto de seus parentes.
Para elucidar isso de uma vez, seria de bom tom que o JW se afastasse do cargo de líder do governo no Senado e que ele e seus parentes apresentassem imediatamente toda essa documentação à Justiça. A transparência não se negocia nem se reza.
Por hora, o que vemos é apenas o circo da política para deleite da mídia.
Wagner Bomfim
19/06/2026
Maravilha, amigo. Cadeia pra todos eles! Não é possível permitir a presença de elementos que mancham a esquerda. O Brasil precisa passar a limpo, pena que está na mão de um ministro terrivelmente medíocre e seletivo.
Não só tem que ser honesto como parecer honesto.