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Blog Opinião 17 de julho de 2026

Soberania Nacional – Projeto de governo ou Projeto de Nação?

O conceito de soberania nacional, na atualidade, é completamente diverso do que fora no passado recente. O país necessita traduzir essa soberania com o domínio de novas tecnologias, aumento de produção industrial com sustentabilidade, incorporando a inteligência artificial em todos os campos do conhecimento. Além disso, necessita ter plena segurança no ciberespaço — motivo para a criação de uma infraestrutura soberana (nuvem pública) independente das big techs estrangeiras —, maior capacitação estratégica da defesa do seu território, produção de energias limpas e autonomia sobre os combustíveis fósseis.

Outro item de vital importância é a substituição da importação de insumos críticos, além da ampliação da produção de alimentos. Sem o domínio dessas áreas, a soberania nacional vira mero discurso.

No entanto, o debate político brasileiro é apresentado polarizadamente pelos supostos especialistas — jornalistas políticos e marqueteiros —, gerando na população um desgaste das narrativas tradicionais, onde a soberania nacional não tem sido encarada como um projeto de nação. Essas narrativas têm, de um lado, a forte expressão dos conservadores e neoliberais, visando manter o país como mero exportador de bens primários, contrapondo-se às tentativas de transformação do país levadas a efeito pelo grupo político que se sagrou vitorioso nas eleições de 2022.

As recentes medidas de retaliações comerciais impostas pelos EUA às exportações brasileiras levantam a discussão sobre o tema, contudo, longe de sensibilizar as camadas mais baixas e médias da sociedade. A dependência excessiva que o Brasil apresenta em vários dos itens citados reduziu significativamente a sua soberania, razão pela qual exige um embate político que o aprisiona numa pauta social e política ultrapassada.

Por um lado, o projeto desenvolvimentista conduzido pelos governos de centro-esquerda desde 2003, com ênfase no fortalecimento do Estado, nas políticas distributivas, de reparação e inclusão social, contrapõem-se à lógica privatista e de manutenção do país totalmente dependente do agronegócio e outros produtos sem valor agregado, efetivada pelos governos neoliberais e ultraconservadores. Ambos os projetos não conseguem na atualidade expressar a relevância necessária da soberania nacional, sensibilizando o eleitorado de todos os matizes ideológicos. Essa disputa já não dá conta do que o país precisa hoje.

O mundo do século XXI exige muito mais que distribuição de renda, embora ela seja, ainda, a grande questão desse país extremamente desigual. Entretanto, para ser um país soberano, importa produzir riqueza com desenvolvimento econômico e com justiça social, reduzindo o fosso da distribuição de renda, promovendo uma oportuna revolução na educação com inclusão, incorporando  a inovação tecnológica existente noutros países  por meio de parcerias com diversos blocos econômicos, e dispondo de uma política ambiental rígida com investimento nos ricos e diversos biomas naturais.

Produtividade e competitividade não são pauta da direita — são sobrevivência. Um projeto dessa magnitude deve combinar crescimento com produtividade, com redução da pobreza e maior competitividade no mercado internacional, o que lhe possibilitaria sair do patamar de 10ª economia do mundo para níveis mais condizentes com sua riqueza.

A visão de soberania com foco em uma narrativa nacionalista ou conservadora pode limitar o projeto em disputa a uma parcela pequena da população.

Atualizar o discurso, colocando a soberania como desenvolvimento, inclusão social e autonomia nacional, pode ser a chave para o século XXI, o século da sociedade da informação.

As eleições que se aproximam exigem da classe política, campo democrático, uma nova narrativa, capaz de mobilizar as expectativas de todo o tecido social. São inegáveis os avanços obtidos após a redemocratização, com a Constituição Nacional de 1988; contudo, não podemos nos prender a uma visão conservadora. É preciso unir tecnologia, riqueza e democracia.

As novas gerações enfrentam um enorme desafio, que vai desde educação de qualidade, a emprego e renda, condição essa que assume novas feições no mundo do trabalho moderno até, sobretudo, um projeto de futuro — essa quimera há muito decantada. A soberania nacional deve ser um projeto de nação; transcende a existência de um governo e carece, na ausência de  uma verdadeira revolução popular, de um pacto federativo que contemple as forças produtivas nacionais num projeto de longo prazo.

A questão central: soberania nacional hoje é autonomia tecnológica, produtiva e distributiva. Sem isso, o Brasil continua como platéia do mundo.

 

Wagner Bomfim

17 de julho de 2026

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