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Blog Opinião 2 de agosto de 2026

Os pilares do poder.

Os pilares do poder

Porque as sociedades marcadas por profundas desigualdades permanecem por longos períodos da história?

É razoável pensar que existam elementos que sustentam esse enorme fosso social onde não apenas a economia seja a força basilar prioritária. São necessários outros elementos que sustentem a exploração e os destinos do homem a séculos.

Introduzo o tema desse pequeno ensaio vinculando-o as eleições de 2026, que ditarão o rumo do país.

A estabilidade do poder pauta-se pela normalização da miséria, da precariedade frente a opulência.

O controle dos meios de produção se acompanha de um ideário que embasa essa justificativa; a escravidão ao longo dos tempos, a mais valia sobre o trabalho são vias mantenedoras desse mesmo controle social.

As diferenças entre pobres e ricos são colocadas como metas circunstâncias morais, individuais. Há um controle maior onde destaco; a religião, o ordenamento jurídico e o aparato repressivo militar do Estado.

A religião- hegemônicamente enfatizam a resignação, o sofrimento como virtude, base para uma recompensa após a morte. A doutrina marxista já denunciou há mais de um século o poder alienante que a religião impõe para submeter o homem à miséria, à privação, reduzindo a indignação e capacidade de transformação da sua realidade material. Algumas práticas religiosas tentaram inspirar em alguns a busca por justiça social sem contudo alterar os liames de dominação seculares.

   – “ A religião é aquilo que impede os pobres de matarem os ricos”

              Napoleão Bonaparte

                 (1769-1821).

A justiça – nos Estados burgueses o ordenamento jurídico está a serviço da propriedade privada, dos contratos, da manutenção do modelo econômico. No Brasil a despeito da Constituição de 1988 não há uma ruptura integral com os pilares do poder. Há de questionar se essa suposta igualdade formal é o bastante para enfrentar as desigualdades existentes, sobretudo num mundo ainda se morre de fome e doenças curáveis.

O encarceramento de quase um milhão de pessoas no Brasil, 3 maior população carcerária do mundo, constituída em sua maioria por pretos e pobres pode servir de elemento para análise.

Bordieu fala que a violência simbólica é exercida de várias maneiras e em diversas áreas; não se esquece que essa submissão dos pobres dá a conformação de legitimidade desejada e exercida pelas classes dominantes.

Os militares – as atuais forças de segurança, herança do período ditatorial militar de 1964 a 1985 tem como princípio basilar a manutenção da ordem estabelecida, impondo-se com autoridade na repressão dos movimentos sociais, ou seja; contra a vontade popular. Exemplos não faltam na história, desde o Brasil Colônia, no Império. Na atualidade o aparato militar detém o monopólio da violência de um Estado que visa proteger o patrimônio de poucos em detrimento da precariedade e pobreza de muitos( Max Weber).

Entretanto, nenhuma sociedade moderna se sustenta apenas pela força. Há um conjunto de crenças e dogmas conferindo essa legitimidade aos detentores do poder. Nesse contexto a mídia tem e exerce esse poder a servico das classes dominantes. Sem dignidade humana não há poder popular, apenas desigualdades.

Frente ao cenário eleitoral de 2026 importa colocar essas três forças basilares no centro do debate, posto que transcendem à uma mera escolha individual.

Certo é que a escolha coletiva colocará dois projetos de sociedade; um baseado na concentração da riqueza, outro que poderá abrir as portas para projetos inovadores.

Dentro da democracia burguesa qualquer que seja o resultado eleitoral haverá a naturalização da desigualdade, do conformismo religioso ou de um defeito de nascença, em virtude de que as transformações de base não se encerram com o pleito eleitoral.

Os pilares que possibilitem a emancipação podem ser; um novo modelo de educação revolucionária, voltada para o século da informação e da automação  do século XXI; a construção de um novo ordenamento jurídico igualitário; a construção da soberania  nacional incluindo uma profunda reforma militar sob o controle popular. 


Wagner Bomfim

02/08/2026.

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