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Blog News 3 de outubro de 2026

Os cinco olhos sobre a urna brasileira.

Um golpe em curso?

A 48 horas das eleições majoritárias brasileiras de 04 de outubro de 2026, alguns veículos de comunicação estampam a notícia de que os EUA suspenderam todos os serviços consulares no Brasil, mantendo seus diplomatas em home office sob um suposto risco de atos terroristas, ameaça essa não esclarecida segundo a Abin e a PF.

A Austrália também entrou nesse cenário político ao alertar seus poucos cidadãos aqui baseados para riscos de terrorismo, violência e manifestações populares, antes, durante e após a respectiva eleição.

Essa coincidência chama a nossa atenção, vez que os EUA e a Austrália fazem parte do Five Eyes, junto com Reino Unido, Canadá e Nova Zelândia. Não temos informações se outros países também emitiram alertas sobre esse tipo de ameaça não esclarecida, mas configura-se, segundo a diplomacia do Itamaraty, como uma interferência por meio de recado de diplomacia pública. No meio diplomático, essa manifestação vai além de um alerta para situações onde existe risco de alguma anormalidade concreta.

O que essas estruturas de inteligência sabem sobre o processo eleitoral brasileiro que ainda não foi divulgado? Que tipo de interferência concreta estaria sendo planejada, ou está em curso? Uma pergunta sem resposta ainda.

Há pouco mais de uma década, Edward Snowden, analista de sistema que prestava serviço à CIA, denunciava a espionagem que a inteligência americana fazia sobre governos e pessoas ao redor do mundo. Portanto, essa seria uma forma? Espionagem, operação no ciberespaço, nas redes sociais, a veiculação de informações privilegiadas com vazamentos seletivos para manipulação da opinião pública, como ocorrido em outros países da América Latina recentemente?

Para não ficar no âmbito da teoria da conspiração, é oportuno rememorar os eventos políticos que marcaram o governo de Dilma Rousseff, manifestações populares que, sabe-se, tiveram o financiamento de setores econômicos americanos para desestabilizá-la e mudar as regras de partilha do petróleo (Pré-Sal).

O Brasil, por seu peso econômico, sua dimensão territorial, com a biodiversidade da Amazônia, suas riquezas naturais, a descoberta de imensas bacias de petróleo da margem equatorial, sua relação com a China e os BRICS, é naturalmente um espaço de interesse geopolítico.

Existe alguma operação concreta de influência nas eleições brasileiras que interesse a algum bloco econômico específico?

O fato de Estados Unidos e Austrália integrarem o Five Eyes e terem emitido alertas próximos das eleições não significa, por si só, que exista uma operação de interferência eleitoral. Não há, até o momento, elementos públicos suficientes para afirmar isso, se é que sob a lógica da guerra híbrida seria necessário uma cartinha avisando de tal intenção.

Mas há uma pergunta que não cala face aos exemplos recentes que norteiam toda a América Latina e a Doutrina Monroe renovada.

A ameaça pode ser real ou pode ser uma precaução exagerada. Ou o próprio alerta faz parte de uma estratégia, como Edward Snowden escancarou há anos, e assim poder produzir um efeito psicológico em toda a população?

O medo é um elemento catalisador de comportamentos irracionais, numa lógica de manada.

O Five Eyes aparece nesse contexto como ator principal ou é uma mera coincidência nesses acontecimentos recentes? Faz parte de algo maior que nós, eleitores brasileiros, ainda não sabemos?

Se os consulados fecham, países aliados emitem alertas e a PF investiga uma ameaça às vésperas da eleição, o que exatamente está sendo visto pelos “cinco olhos” que o eleitor brasileiro ainda não consegue enxergar?

São milhões de olhos que definirão os destinos do país para os próximos anos. E talvez essa seja uma das grandes questões da geopolítica do século XXI: quem controla a informação e, principalmente, quem consegue interferir na maneira como uma sociedade percebe a realidade?

A disputa eleitoral pode não estar apenas nas ruas, nos palanques ou nas redes sociais. Pode estar também em lugares que não vemos.

Deepfakes, manipulações midiáticas, inteligência artificial, vazamentos, ataques cibernéticos e pressão psicológica sobre o eleitorado podem fazer parte de uma nova forma de disputa política. Nessa guerra, não necessariamente poderíamos lidar com bombas e mísseis, mas através da desinformação e da capacidade de produzir dúvida.

Aguardemos para ver o que a profundidade da geopolítica do século XXI ainda nos reserva.

Enquanto isso, os Cinco Olhos continuam olhando.

E nós, os milhões de olhos brasileiros diante da urna, também.

 


Wagner Bomfim

02/10/2026

Referências

· Agência Brasil (EBC) — “EUA e Austrália fecham embaixadas no Brasil às vésperas da eleição”

· Folha de S.Paulo — “Austrália cita eleições e fala em ‘terrorismo’ após suspender atendimentos nos consulados e na embaixada”

· SBT News — “AGU pede apuração de financiamento dos EUA a ações anti-terrorismo 

· ICL Notícias — “Governo brasileiro vê ‘factoide’ em alertas de segurança de EUA e Austrália”

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