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Blog Cultura 24 de setembro de 2016

As âncoras arrastadas no mar azul turquesa.


As coisas adquiridas pelas ruas apinhadas por muita gente, pesavam na mochila que carregávamos nas costas. 
Mas, pior que os souvenires inevitáveis e insofismavelmente clichês, o corpo é que parecia um peso a se arrastar pela calçada, no trepidar das malas em direção ao metrô que nos levaria para o aeroporto de Atenas. Contudo, não foi 
difícil, dado a proximidade da estação e de posse de algumas moedas compramos os bilhetes e adentramos numa estação muito bem elaborada e conservada, que convivia lado a lado com o seu passado de história e de tantas lutas e criação, diferente em conservação desse tipo de espaço existente em outras capitais da Europa. 
Fizemos uma baldeação no terminal de Doukissis Plakentias e por pouco não paramos na estação final, por não entender o velho e bom idioma grego quando uma moradora nos alertou ser ali o destino. Alguns minutos depois seguimos rumo ao aeroporto numa comodidade e tranquilidade ímpar. Ao lado da ferrovia por onde transitava o metrô, agora de superfície, debruçava-se a mesma autoestrada que tomamos na chegada e ao fundo as oliveiras derramavam sua seiva num choro cálido de primavera.
Algo incomodava o peito, pensava. Quiçá teria sido a comida matinal, o stress dos horários sempre apertados dos voos, mas nada decifrável tal qual uma lição do oráculo de Delpho.
Chegamos ao guichê de embarque e a tarde lá fora ostentava aquele sol e um calorzinho gostoso. Um aeroporto moderno, sinalizado em duas línguas como todas as vias, cardápios e colóquio da população, que às vezes, como disse, “arranhava” o italiano ou mesmo o espanhol. 

O avião decolou no horário pra nossa íntima frustração e lá, recolhido a uma poltrona da janela da aeronave, mais uma vez a mudez me tomou por inteiro e não esboçávamos qualquer reação. Apenas os olhos fixos contemplavam o mar lá embaixo sob um céu azul.
Parecia sim e agora entendia, que as mãos crispadas no espaldar da cadeira do avião eram como as raízes das oliveiras que floresciam nas montanhas ao longe, e, sobretudo o coração, ah! o coração, parecia uma âncora arrastando-se, que insistia em aprisionar-se ao fundo daquele mar límpido de cor azul turquesa que por hora banhavam nossos olhos.



Vagner Bomfim

in Athenas

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