Deixe o rio correr,
que ele banhe suas margens
e saboreie suas entranhas
de ferro, espinhos e musgos.
Deixe o rio correr.
Ele passará, independente de tua vontade.
O tempo fará vincos, sulcos,
entranhas nas pedras.
Daí nascerão novas folhas,
espinhos e flores.
Deixe o rio correr.
Escute a música
que sobra do seu silêncio,
o assobio
que embala tua presença.
O silêncio
esgarçará teus músculos
ante a quietude.
Deixe o rio correr.
Wagner Bomfim
30/03/2026

