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Literatura 12 de junho de 2026
O mar
Todos os dias vejo o mar.
Todos os dias.
Nunca é o mesmo.
Nem o mar da infância
nem o dos verões.
Todos os dias vejo o mar.
Às vezes um carcará
passeia sobre as areias.
Bica, bica
e voa.
Estranho.
Tal qual meus passos
estranhos ao lugar.
Todo dia vejo o mar.
Há uma inquietude que o move.
Há um desassossego no peito
que rói.
Vou bicando a felicidade
aqui e ali.
Estranho.
Todo dia vejo o mar
até onde a vista dá.
Wagner Bomfim
12 de junho de 2026

Lindo! Realmente “bicamos” fragmentos da vida, da beleza, do infinito.