Edição de hoje • terça-feira, 1 de setembro
Blog Do Wagner
← Início
Blog Cultura 1 de setembro de 2026

A estrela, a cultura e o poder.

A estrela, a cultura e o poder.

Os adjetivos endereçados à cantora pop star Anitta podem variar de maravilhosa, bela, show-woman até outros perniciosos desferidos ou por quem não goste do seu estilo musical ou pela forma como ela se posiciona no mercado cultural brasileiro, notadamente na música.

Vou parar por aqui, porque a mulher, além de vibrar as cordas vocais além de 800 Hz, iluminando as mentes presas na escuridão do monoteísmo religioso, reverbera no sectarismo fanático dos evangélicos da direita política tupiniquim.

Falar de Anitta vai além de discutir o gosto; tem a sua coragem e o carisma inegável. De forma inequívoca, a bela tem a competência, estudo, “time” e, sobretudo, amor às suas raízes.

O lançamento do seu nono álbum musical, Equilíbrium II, expressa o fenômeno que levou a menina saída do subúrbio carioca a ocupar um lugar de destaque na cultura brasileira contemporânea. Tudo isso combinando competência gerencial, independência das gravadoras, empreendedorismo, poder econômico, autogestão da carreira e expressão da sexualidade sob a ótica feminina, ou seja: a mulher no centro da representação do corpo e do prazer.

Para os que “torcem o nariz” com sua postura, está aí o cerne da questão: ela se posiciona no centro, como detentora do discurso, como expressão corporal que ocupa um lugar privilegiado na constelação de grandes estrelas da música internacional. Cada vez mais essa constelação dá espaço para sua grandeza, e esse último álbum repercute nos EUA e na UE.

Poucas vezes na música popular brasileira houve alguém colocando o nome do Brasil em um patamar tão elevado quanto Anitta tem conseguido em sua trajetória artística, mesmo que consideremos Tom Jobim, Gil e Caetano. 

Se na década de 40 passada Carmen Miranda precisou ostentar uma cesta de frutas “exóticas” na cabeça para rebolar o samba carioca e ser aceita nos padrões americanos como uma cantora estrangeira — que por pouco tempo ocupou os estúdios de Walt Disney —, na atualidade é diferente. Anitta prescinde dessa caricatura.

Seu trabalho, embora também normatizando a exploração do corpo feminino, transcende e impõe à indústria cultural uma capitulação ao significado mesmo que consideremos  seu é uso como consumo pela indústria do streaming e indústria fonográfica.

Enquanto veículo transformador do feminino numa sociedade conservadora, gera pertencimento e emancipação para quem gosta dela ou para quem não galgou esse patamar libertário, sobretudo aquelas que rebolam às escondidas dos censores, dos vigias.

Sob o aspecto musical, Equilíbrium II é arrebatador exatamente por não se prender a um só ritmo, transitando do afrobeat, passando pela bossa nova, reggae ou forró. Nesse caldo, artistas consagrados vêm beber na sua fonte, a exemplo de Bethânia, Alceu Valença e até Shakira, igualando-se como pop stars internacionais.

Esse sucesso mundo afora deve-se exatamente à plasticidade do seu show, do colorido, da gestão competente do repertório, da carreira, dos signos religiosos que os fãs americanos e europeus têm se interessado, independentemente do ranço conservador religioso no Brasil.

Aqui na Bahia ela dançou  brilhou, sacudiu  todo o corpo, entronizada na sua fé, e todos entramos em transe com os orixás.

No mais, o que poderia dizer senão que, ao contrário da raposa, não as acho azedas, apenas sei que são uvas altas demais para meu alcance!

 


Wagner Bomfim

01/09/2026

Compartilhar Link copiado!

No Instagram o link é copiado para você colar no story ou na bio — a rede não permite compartilhar link direto pela web.

0 0 votos
Article Rating
Inscrever-se
Notificar de
guest

0 Comentários
mais antigos
mais recentes Mais votado
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x