6 x 1 – Segundo tempo
4º gol: Feminicídio 4 x 0 Brasil
Um gol logo aos primeiros minutos do ano.
O ano de 2025 deixou inúmeras marcas, revelando o quanto precisamos evoluir no plano civilizatório. Práticas machistas ainda vigoram no país, e a necessidade de melhorar o respeito às diferenças, sobretudo às de gênero, permanece urgente.
As marcas se fazem presentes nos corpos de milhares de mulheres, vítimas de um sistema patriarcal que insiste em colocar a mulher, senão na invisibilidade, em uma condição de subserviência ao macho reprodutor e proprietário desses corpos.
As delegacias de polícia e os serviços de perícia médico-legal testemunham diariamente as agressões físicas expostas nos corpos. Outras marcas, porém, não desaparecem: deixam sequelas que vão além do físico e atingem a alma dessas mulheres.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve um aumento de 14,5% nos feminicídios no Brasil em 2025 em relação ao ano anterior. A maioria dessas mortes — 54,2% — foi cometida por parceiros afetivos. A taxa chegou a 3,38 mortes por 100 mil mulheres.
Na análise crua desses dados, constata-se um aumento dos registros nas delegacias de polícia civis das grandes cidades, quase sempre despreparadas para um atendimento multidisciplinar, limitando-se à mera alimentação de dados no sistema de informação. Nas cidades de menor porte, não há registros confiáveis.
Os estados do Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul se destacam nesse cenário de violência contra a mulher. Já estados de padrão econômico mais desenvolvido, como Rio Grande do Sul e São Paulo, também registram dados alarmantes — ou seja, a condição econômica não é o único fator envolvido na violência doméstica.
A curva identificada pelo Fórum de Segurança está em franca elevação. O machismo campeia tranquilamente. O VAR nem precisa ser consultado.
Feminicídio 4 x 0 Brasileiras
5º gol: CBF 5 x 0 Brasil
As vitrines dos shoppings centers — modelo americano de viver em torno do consumo — já ostentam bandeirolas verde-amarelas no estilo festa junina (no Nordeste) e modelitos nas cores da camisa da seleção brasileira de futebol, marca largamente vinculada, nos últimos anos, a adeptos da extrema direita política.
Verifica-se uma grande jogada de marketing da CBF, conjuntamente com seus patrocinadores, para meramente anunciar uma lista de jogadores que têm vínculos com empresários de atletas e com grandes marcas de produtos dessa selva de consumo capitalista.
Atualmente, a CBF conta com 12 patrocinadores para a Copa do Mundo de 2026, após uma debandada em 2025, quando quatro marcas (Gol, Mastercard, Pague Menos e TCL) rescindiram contratos em meio a denúncias envolvendo o então presidente Ednaldo Rodrigues .
A nova gestão de Samir Xaud reconquistou o mercado. Os patrocinadores atuais incluem: Nike, Itaú, Vivo, Ambev, Cimed, Sadia, Azul, Uber, Volkswagen, iFood, Google e Amazon . As receitas com patrocínios dessas gigantes ultrapassam R$ 170 milhões de euros (cerca de R$ 1 bilhão), com projeção de chegar a R$ 250 milhões anuais .
O ápice do circo midiático ocorreu na convocação para a Copa: o técnico Carlo Ancelotti — sim, o italiano é hoje o comandante da seleção, fato raro em nossa história — saiu do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, de helicóptero, desceu no Projac (cidade cenográfica da Rede Globo) e foi recebido em pé por jornalistas do Jornal Nacional. Vê-se aí o nível dos interesses dos patrocinadores. A imensa maioria dos atletas de futebol profissional e amadores sobrevivem de recursos ínfimos ou ausência deles ante um cenário de enriquecimento de empresários e supostos mecenas.
Enquanto isso, os olhos dos brasileiros brilham diante das vitrines. A resistência do Brasil fica abalada.
6º gol: Patronato 6 x 0 Brasil
Avança de forma acelerada uma proposta de alteração no regime atual de trabalho dos brasileiros. Os empresários insistem no modelo de 44 horas semanais, enquanto o presidente Lula afirma que nenhuma mudança acontecerá “na marra”.
Os donos dos meios de produção mantêm-se irredutíveis e estabelecem um prazo de 10 anos para vigência de qualquer alteração na jornada. Daqui para lá, com o avanço da automação e da inteligência artificial, será possível ver robôs realizando atividades antes dependentes da força física humana.
Críticos apontam que tal postura configura um regime escravista moderno, que desconsidera a necessidade de aumento da produtividade com menos horas de trabalho, o que poderia fazer a economia crescer também nos momentos de lazer e qualidade de vida. No melhor estilo, ócio criativo.
1 gol do Brasil (Bahia)
Essa semana, um soldado da Polícia Militar, negro, em uma solenidade num mercado na cidade de Santo Amaro (BA), o Bembé do Mercado, que reúne inúmeros terreiros de candomblé, dançou em homenagem ao orixá Xangô, divindade vinculada à justiça, guerreiro.
Em seu fardamento de PM, vimos um homem entronizar seu credo numa bela reverência aos seus antepassados — sinal de respeito às diferenças culturais e religiosas.
Por fim seria também de bom tom que, assim como o soldado professando sua religião, a instituição Polícia Militar da Bahia traduzisse em sua prática diária de ações ostensivas e preventivas de violência urbana uma maior relação de respeito para com seu povo, em sua grande maioria pardo preto e pobre.
Gol de honra, nos acréscimos.
Exclusão: 6 x 1 Brasil
Wagner Bomfim
20/05/2026

Completando a goleada: A bola murcha rolando em jogo truncado com mala máster nos bastidores. E a tentativa de dopar um animal doente para competir na marra. É uma caixinha de surpresas atrás da outra!