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Blog Opinião 20 de maio de 2026

6×1-segundo tempo

6 x 1 – Segundo tempo 

 

4º gol: Feminicídio 4 x 0 Brasil

Um gol logo aos primeiros minutos do ano.

O ano de 2025 deixou inúmeras marcas, revelando o quanto precisamos evoluir no plano civilizatório. Práticas machistas ainda vigoram no país, e a necessidade de melhorar o respeito às diferenças, sobretudo às de gênero, permanece urgente.

As marcas se fazem presentes nos corpos de milhares de mulheres, vítimas de um sistema patriarcal que insiste em colocar a mulher, senão na invisibilidade, em uma condição de subserviência ao macho reprodutor e proprietário desses corpos.

As delegacias de polícia e os serviços de perícia médico-legal testemunham diariamente as agressões físicas expostas nos corpos. Outras marcas, porém, não desaparecem: deixam sequelas que vão além do físico e atingem a alma dessas mulheres.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve um aumento de 14,5% nos feminicídios no Brasil em 2025 em relação ao ano anterior. A maioria dessas mortes — 54,2% — foi cometida por parceiros afetivos. A taxa chegou a 3,38 mortes por 100 mil mulheres.

Na análise crua desses dados, constata-se um aumento dos registros nas delegacias de polícia civis das grandes cidades, quase sempre despreparadas para um atendimento multidisciplinar, limitando-se à mera alimentação de dados no sistema de informação. Nas cidades de menor porte, não há registros confiáveis.

Os estados do Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul se destacam nesse cenário de violência contra a mulher. Já estados de padrão econômico mais desenvolvido, como Rio Grande do Sul e São Paulo, também registram dados alarmantes — ou seja, a condição econômica não é o único fator envolvido na violência doméstica.

A curva identificada pelo Fórum de Segurança está em franca elevação. O machismo campeia tranquilamente. O VAR nem precisa ser consultado.

Feminicídio 4 x 0 Brasileiras

5º gol: CBF 5 x 0 Brasil

As vitrines dos shoppings centers — modelo americano de viver em torno do consumo — já ostentam bandeirolas verde-amarelas no estilo festa junina (no Nordeste) e modelitos nas cores da camisa da seleção brasileira de futebol, marca largamente vinculada, nos últimos anos, a adeptos da extrema direita política.

Verifica-se uma grande jogada de marketing da CBF, conjuntamente com seus patrocinadores, para meramente anunciar uma lista de jogadores que têm vínculos com empresários de atletas e com grandes marcas de produtos dessa selva de consumo capitalista.

Atualmente, a CBF conta com 12 patrocinadores para a Copa do Mundo de 2026, após uma debandada em 2025, quando quatro marcas (Gol, Mastercard, Pague Menos e TCL) rescindiram contratos em meio a denúncias envolvendo o então presidente Ednaldo Rodrigues .

A nova gestão de Samir Xaud reconquistou o mercado. Os patrocinadores atuais incluem: Nike, Itaú, Vivo, Ambev, Cimed, Sadia, Azul, Uber, Volkswagen, iFood, Google e Amazon . As receitas com patrocínios dessas gigantes ultrapassam 170 milhões de euros (cerca de R$ 1 bilhão), com projeção de chegar a R$ 250 milhões anuais .

O ápice do circo midiático ocorreu na convocação para a Copa: o técnico Carlo Ancelotti — sim, o italiano é hoje o comandante da seleção, fato raro em nossa história — saiu do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, de helicóptero, desceu no Projac (cidade cenográfica da Rede Globo) e foi recebido em pé por jornalistas do Jornal Nacional. Vê-se aí o nível dos interesses dos patrocinadores. A imensa maioria dos atletas de futebol profissional e amadores sobrevivem de recursos ínfimos ou ausência deles ante um cenário de enriquecimento de empresários e supostos mecenas.

Enquanto isso, os olhos dos brasileiros brilham diante das vitrines. A resistência do Brasil fica abalada.

6º gol: Patronato 6 x 0 Brasil

Avança de forma acelerada uma proposta de alteração no regime atual de trabalho dos brasileiros. Os empresários insistem no modelo de 44 horas semanais, enquanto o presidente Lula afirma que nenhuma mudança acontecerá “na marra”.

Os donos dos meios de produção mantêm-se irredutíveis e estabelecem um prazo de 10 anos para vigência de qualquer alteração na jornada. Daqui para lá, com o avanço da automação e da inteligência artificial, será possível ver robôs realizando atividades antes dependentes da força física humana.

Críticos apontam que tal postura configura um regime escravista moderno, que desconsidera a necessidade de aumento da produtividade com menos horas de trabalho, o que poderia fazer a economia crescer também nos momentos de lazer e qualidade de vida. No melhor estilo, ócio criativo.

1 gol do Brasil (Bahia)

Essa semana, um soldado da Polícia Militar, negro, em uma solenidade num mercado na cidade de Santo Amaro (BA), o Bembé do Mercado, que reúne inúmeros terreiros de candomblé, dançou em homenagem ao orixá Xangô, divindade vinculada à justiça, guerreiro.

Em seu fardamento de PM, vimos um homem entronizar seu credo numa bela reverência aos seus antepassados — sinal de respeito às diferenças culturais e religiosas.

Por fim seria também de bom tom que, assim como o soldado professando sua religião, a instituição Polícia Militar da Bahia traduzisse em sua prática diária de ações ostensivas e preventivas de violência urbana uma maior relação de respeito para com seu povo, em sua grande maioria pardo preto e pobre.

Gol de honra, nos acréscimos.

Exclusão: 6 x 1 Brasil

 

Wagner Bomfim

20/05/2026

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Franklin Passos
Franklin Passos
1 mês atrás

Completando a goleada: A bola murcha rolando em jogo truncado com mala máster nos bastidores. E a tentativa de dopar um animal doente para competir na marra. É uma caixinha de surpresas atrás da outra!

Gustavo Morais
Gustavo Morais
1 mês atrás

Uma ótima leitura matinal, garantindo que fiquemos bem acordados.

Marcio Campos
Marcio Campos
1 mês atrás

Mais um gol de placa de Wagner Bomfim. Em sua análise tão precisa sobre as bases do capitalismo selvagem que vem nos destruindo como modelo civilizatório. Parabéns!!!

Neci Matos Soares
Neci Matos Soares
1 mês atrás

Parabéns Wagner pela Avaliação täo precisa.
👏👏👏👏👏👏👏

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